22 de abril de 2014

ESTOU VOLTANDO...

Depois de dois anos de frio e tenebroso inverno, resolvi retomar minhas postagens por aqui. Estou tentando reunir mais material para colocar neste despretensioso espaço. Só espero que, se ainda tiver alguém lendo, os seus comentários, pois só eles podem me dar um alento para continuar produzindo para o Blog...

29 de outubro de 2012

PAPAI, PAIZINHO...

Não há nada melhor do mundo do que ser pai. Mesmo sendo pai por vias tortas, como aconteceu comigo. Ariane, minha primeira "filha", foi uma conquista, uma bênção, um presente de Deus. Chegou em casa com poucos meses, desnutrida e por quem me apaixonei logo que a vi. Linda, de pele cor de ébano (como só existe na Bahia, disse uma garota de Feira de Santana quando a viu pela primeira vez), veio de Salvador direto para meus braços. Hoje, uma pré-adolescente, adotada por minha irmã Luci, ainda me chama de papai, o que deixa a manina "cabeça de melão" totalmente perdida, pois não sabe se fala de mim ou do Alemão, meu cunhado. Tê-la nos braços, vê-la crescer e se desenvolver é uma bênção que só os pais podem desfrutar. A minha segunda filha é a Drika (não admite que eu a chame de Adriely, mesmo que todo mundo a chame assim). E, carinhosamente, só me trata de paizinho. Conheci-a quando tinha onze anos (hoje  tem 19) e também foi amor à primeira vista. Não me imagino sem a Drika na minha vida -- e creio que ela também pense assim, já que me deu provas mais do que suficientes de amor filial. É uma filha que liga de madrugada para saber de um filme e que conseguiu me levar pra frente da TV para ver filme da saga Crepúsculo (como a mãe dela já me fez ver muita comédia romântica, gênero que não está entre os meus preferidos). Não tenho como questionar os desígnios divinos: Deus deu-me filhas postiças e não naturais por alguma razão. Mesmo assim, não deixo de amá-las como o pai que sempre fui: protetor, exigente e exageradamente apaixonado por duas das razões da minha vida. Quem sabe um dia também não fale das outras?

26 de outubro de 2012

CABEÇA DE MELÃO

De vez em quando, o que mais me irrita, é a cabeça de melão (que ela me perdoe!) da minha irmã Luci. Há fatos marcantes em nossas vidas, principalmente na infância, das quais ela não se lembra, nem em contando em minúcias... Luci é (e sempre foi) assim, avoada... Quando comento de alguém da nossa infância passada na Usina Junqueira, ela faz aquela cara de "como é mesmo?" e diz, com a maior sinceridade: "eu não me lembro". Já desisti de tentar entender o que passa pela cabeça avoada dela. Há fatos mais ou menos recentes que ela insiste em dizer que não se lembra. E há outros, mais obscuros até pra mim (guardo lembranças até de quando era bem pequeno) que ela se lembra com riqueza de detalhes. Domingo passado, fizemos uma festinha pelo aniversário da Gleice (que aconteceu na segunda-feira, dia 22). Fui desfiando nomes de pessoas que conhecemos na Usina Junqueira e ela nem te ligo: o dr. Lélio e sua esposa d. Solange (que descobri morarem em Ribeirão Preto), por exemplo. Pois não é que ela me olhava como se eu estivesse falando uma novidade? Outros nomes surgiram, como nossos vizinhos na rua Quatro (Carmem Lúcia, José Wilson e Carlos Tonasso) e nada! Mas se lembrava dos nomes de todas as suas bonecas e das peripécias que fazia para me defender na saída do Grupo (pra briga, sou o mais lerdo dos lerdos) ou então ao Gérson, mais velho que nós dois mas também que nunca foi um expert num combate corpo a corpo. Esta é a Luci, mãe de três filhas maravilhosas (Elisa, Gleice e Ariane, esta a filha do coração que também me chama de pai) e que se baba pela neta Kauanny, um anjinho que Deus colocou em nossas vidas e que se tornou em motivo de babação coletiva em nossa família (que o diga o vovô Alemão!) e tornou-se o centro de todas as atenções dos que a cercam. Mesmo assim, cabeça de melão ou não, Luci é uma pessoa sensacional, querida e amada por mim e por todos. E esta foi a forma que encontrei para homenageá-la e externar todo o amor que sinto por ela.

6 de março de 2012

GLEICE E AS VÍRGULAS

Assim como a Geysa, a Gleice é uma sobrinha querida que sempre conviveu muito comigo. Hoje, é meu braço direito e todas as semanas vem à minha casa, cuidar de tudo: da limpeza, da roupa e da comida. Com ela vem a coisinha mais linda do mundo, a filhinha Kauanny, atualmente com 10 meses de vida. É uma alegria com seu sorriso constante, uma alegria contagiante e que traz uma paz enorme à minha casa. Há mais de 15 anos -- acho que em 1997, quando ela tinha 13 anos --, quando eu estava no Spa Med Campus, em Sorocaba, perdendo uns quilinhos (que acabei achando em dobro nos anos seguintes), certo dia recebi uma cartinha da Gleice. Carinhosa, falava do que tinha acontecido e do quanto gostava de mim. Uma gracinha! Pois como sempre fui meio crítico com os erros que se cometem com a língua portuguesa, ponderei a ela, por telefone, que não havia pontuação em sua carta. Faltavam pontos e, principalmente, vírgulas. E ela resolveu a questão na carta seguinte: a cada palavra que escrevia, colocava uma vírgula. Ri muito ao ler a carta e, quando voltei a Franca, acho que consegui lhe explicar as regras de pontuação. Aliás, na mesma época fiquei sabendo que a Gleice tinha enfrentado (e batido) em um garotinho da idade dela, na rua. O motivo? É que o garoto, ao ver uma foto minha, que eu mandara pra ela, disse que eu era gordo. Mesmo eu tendo 160 quilos na época, ela não aceitou e partiu pra cima do garoto. Só foi contida pelos demais colegas que viam o tendepá! Esta é a Gleice: doce, expansiva e alegre. Mas se for pisada no calo, vira bicho!

29 de fevereiro de 2012

POEMINHA

Como achei oportuno, transcrevo abaixo a 'peça literária' que copio do 'Jornal da ImprenÇa', grande coluna do não menor Moacyr Japiassu no 'Comunique-se':

Quando a gente envelhece,
o cabelo embranquece,
o osso adoece,
o joelho endurece,
a vista escurece,
a memória esquece,
a gengiva aparece,
a hemorróida engrandece,
a barriga cresce,
a pelanca desce,
o bilau amolece,
o ovo padece,
a mulher se oferece,
a gente agradece.

7 de janeiro de 2012

Geysa: da pá virada?

Prometi a ela que iria escrever, contar algumas coisas que vivemos juntos... Quando disse o título, ela não gostou... Mas vai ficar assim mesmo. Porque ela sabe o carinho e o amor que tenho por ela. Hoje, professora de Filosofia, Geysa continua a mesma moleca de quando não deixava vidro de casa abandonada inteiro. Atirava pedras até quebrar todos os vidros das janelas... Nunca levou desaforo pra casa e, se precisasse, resolvia tudo no soco... contra meninos ou meninas. Sempre disse a ela que a risada dela, que se ouve de longe, faz muita falta no dia-a-dia daqui (Geysa dá aulas e mora em Sorocaba). Assim como a Elisa e a Gleyce, outras duas sobrinhas próximas a mim (e elas tb ganharão posts aqui), Geysa gosta de me ver constrangido. Anos atrás, antes de meus dois casamentos (que naufragaram como o Titanic), a gente sempre saía junto. Íamos a barzinhos, baladas e festas. Nestas ocasiões, como meu trabalho sempre acabava mais tarde, quando eu chegava já a encontrava à minha espera. Uma vez, estávamos no Pau Brasil (de boas e grandes lembranças, onde se comia um excelente frango à passarinho com shoyu, uma torrada com queijo maravilhosa e eu bebia um Negrone que nunca mais encontrei em outro lugar), Geysa e Elisa me esperavam numa mesa. Havia ainda uma amiga das duas. Pois bem: assim que entrei no bar/restaurante (que por sinal estava lotado), Geysa grita: "chegou o homem mais gostoso da Franca". E a Elisa emenda: "tesão". Isto, numa altura que todo mundo que estava ali (e era muita gente!) ouviu. E todo mundo procurando um deus grego e apareço eu, com meus 160 kg (na época), totalmente constrangido. O melhor foi a gargalhada da Geysa ao ver que eu estava vermelho de vergonha. Ela ainda faz coisas destas comigo. E, acho que por isso, amo cada vez mais esta garota simples, sincera e — mais do que tudo — da pá virada. Mas é assim que eu a conheci e é assim que gosto dela.

14 de dezembro de 2011

"Por conta de" vira praga

A infernal mania do "por conta de" está sufocando a higiênica expressão "por causa de"

Por causa da minha indignação com esta mania, publico aqui texto do ilustrado Josué Machado, na revista Língua Portuguesa, explicando a diferença de um e outro:
"Por que será que tantas pessoas passaram a usar a expressão por conta de em vez da limpíssima e castiça locução por causa de? Talvez achem por causa de muito simples, quem sabe vulgar, pouco literária.
 
Por isso se ouvem ou lêem coisas como:
- "Por conta desse deixa-disso, somado ao preconceito, o projeto de parceria civil está encostado há dez anos, sem perspectiva de ser votado."
- "Tudo por conta de dois moradores, que não quiseram mais a feira na rua em que moram..."
- "Ganhei uma úlcera gástrica por conta de quatro meses sem fumar."
- "Por conta do calor, os vidros dianteiros estavam abaixados."
 
Sem o modismo papagaial, deveria ser usada a locução conjuntiva perfeita para expressar causa - por causa de; ela aparece sempre antes de substantivo:
- "Por causa desse deixa-disso, somado ao preconceito,..."
- "Tudo por causa de dois moradores, ..."
- "Ganhei uma úlcera gástrica porque fiquei quatro meses sem fumar."
- "Por causa do calor, os vidros dianteiros estavam abaixados."

Mais exemplos:
- Não marcou gols por causa do excesso de peso.
- O Brasil perdeu por causa da máscara.
- Os mensaleiros foram inocentados apenas por causa do corporativismo.
- O Ribeiro ficou encantado por causa da (ou com a) energia do rapaz.

Claro que o substantivo seguinte ao por causa de pode ser modificado por adjetivo ou qualquer determinativo.
Os mensaleiros não foram cassados apenas por causa do saudável corporativismo.

"Porque" causal
A mais característica das conjunções causais, no entanto, é "porque":
- Ele será reeleito porque foi esperto.
- O PCC fez muitos estragos porque é organizado.
- Faz doze anos que o governo arrecada muito imposto porque gasta mal e demais.

Questão de qualidade
Pode ser que, em fenômeno semelhante aos termos "qualidade" e "atitude", por conta de incorpore o sentido causal
Claro que palavras e expressões - como por conta de - podem ganhar novos sentidos com a evolução da língua. E ganham.
Foi o que ocorreu com os substantivos atitude (veja Dito & Escrito em Língua 10) e qualidade, por exemplo.
Atitude sempre teve sentido predominantemente neutro. Era atitude positiva ou negativa. Agora, virou moda falar em atitude como valor positivo: "O jogador tem de ter atitude!", com o significado de empenho, força, energia, esforço, espírito de luta, vontade de lutar. Uma tolice, considerando a quantidade de palavras com o sentido que querem atribuir a atitude. Qualidade também indicava basicamente neutralidade: boa ou má qualidade.
 
Café, cachaça ou político de péssima qualidade.
Agora, quando se fala em qualidade, freqüentemente se subentende boa qualidade.
Ele é um político de qualidade.
Isso significa, de acordo com o sentido que alguns atribuem a qualidade:
Ele é um bom político, um político honesto, trabalhador, decente, responsável, nobre, aplicado, honrado. (Há quem duvide de que tais conceitos coexistam no mesmo ente.)
Pode ser que, em fenômeno semelhante, por conta de também incorpore o sentido causal, até há pouco tempo raro e estranho à maioria dos bons textos.
Também pode ser que o modismo desapareça, e tais palavras e expressões voltem a ter apenas os significados predominantes anteriormente.
O que se há de fazer? Rir é sempre bom remédio.