ESQUISITICES E ESQUISITOS
Tava eu fumando um cigarro, sentado num banco do calçadão da Marechal Deodoro, aqui em Franca, esperando minha esposa sair da livraria, quando uma senhora idosa, com as bochechas vermelhas de ruge, parou na minha frente e soltou um "Ô coitado!" Diante do meu espanto, ela continuou: "é doença?". Tive que perguntar: "O quê?". "Esse barrigão", prosseguiu. E eu, naturalmente, respondi: "obesidade...". Aí ela quis saber se eu comia muito mas logo cortei o barato, nem dei muitas chances pra ela continuar. Afinal, o povão que passava ali, no meio da tarde, já estava se divertindo com a cena. Tudo isso para explicar: obesidade é doença que traz consigo uma série de outras moléstias que pode levar à morte. Mas espero que isso acabe logo. Se tudo o que estou imaginando der certo, no final do ano terei uma boa notícia. Pois bem: tudo isso só pra dizer: sou pára-raios de malucos e esquisitos. Se estou no meio de gente e aparece uma pessoa não muito certa da idéia, pode ter certeza de que ela vem falar comigo, quase sempre fazendo-me pagar um "king kong" no meio do povão. Neste mesmo dia, tava eu indo comprar uma água (mineral, com gás) numa cafeteria do mesmo calçadão, quando passei diante de uma sorveteria. O estabelecimento comemorava seu aniversário e havia colocado um locutor ali, para "animar" o povão a tomar sorvetes. Para meu espanto, quem assumiu um microfone era um locutor que trabalhou em emissoras da cidade, que eu conheço mas não via há mais de uma década. Não é que ele me viu e já berrou? "Vem aí o Sidão, que trabalha no 'Comércio da Franca', jornalista, há vários anos na cidade... Cada vez mais gordo, heim Sidão?". Eu até iria comprar a água na sorveteria, mas aí nem chance né? Pessoas dos mais diferentes tipos param-me na rua para apresentar uma dieta milagrosa, um remedinho capaz de resolver meus problemas de saúde ou mesmo pra perguntar meu peso. E eu ali, perdido em razão da minha introversão... Sem ter como me livrar. Pode uma coisa dessa?


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